A análise da realidade, segundo o bispo auxiliar de Porto Alegre nunca é “totalmente imparcial”. Em seu artigo “Competir ou cooperar”, ele afirma que todos são condicionados por muitos fatores. “Herdeiros da tradição cartesiana e do racionalismo, evoluímos muito no domínio do conhecimento para o avanço da ciência, da técnica, da robótica e da informática”, afirma o bispo.

Dom Leomar Brustolin, bispo auxiliar de Porto Alegre

Hoje, de acordo com ele, já se prospecta a geração 4.0. “Muitas pesquisas têm revelado significativos dados que possibilitam maior qualidade de vida e domínio sobre constantes ameaças que abalam a vida e o planeta”, garante. É preciso, contudo, segundo dom Leomar ser crítico sobre o modo de pensar que muitos têm quando abstraem os valores subjetivos, as relações interpessoais e menosprezam as dimensões do transcendente, priorizando somente o que é empírico e verificável por métodos que descartam outras dimensões humanas como a arte, a música, a religião, a sensibilidade e a espiritualidade.

Dom Leomar diz ainda que a sociedade contemporânea, em acelerado processo de mudança, está dispersa e desprovida de referenciais. Ele cita que há um vácuo racional e ontológico fundamental. Para o bispo, o individualismo é um princípio que decorre da racionalidade moderna. “Ele gera uma moral que individualiza o direito e dá caráter de tensão às relações sociais: ‘o seu direito termina onde começa o meu’. O limite do direito individual é a presença do outro indivíduo e não a convivência social”, afirma o bispo.

Em seu artigo, ele também reitera que a criminalidade e a violência urbana fazem crescer o clima de tensão. “A insegurança social parece ser uma característica ‘natural’ da sociedade moderna. Na verdade é a busca desordenada pela sobrevivência diante de uma ética individualizante e competitiva. O ser humano se animaliza: reage com o instinto de defesa diante do ataque violento”, diz.

Na tentativa de estabelecer os fundamentos da nova concepção sobre a vida, o bispo auxiliar de Porto Alegre afirma que há de se buscar novos conceitos. Para ele, a subsistência da vida humana na Terra não se deve à competição, mas sim à cooperação. “O ser humano depende dessa atitude comunitária para superar a fragmentação da realidade da forma como é concebida atualmente”, argumenta.

Por fim, dom Leomar salienta que todos os seres criados são solidários entre si porque se originaram da mesma matéria primordial. “Todos são criados por Deus para que cresçam na harmoniosa multiplicidade do universo”. Diz. A pessoa, nesse contexto, de acordo com ele, tem uma cidadania universal, cósmica, que se realizará cada vez mais que se mover livremente em direção ao próprio projeto do Criador para todo o cosmos.

“O humano é o único ser para o qual a vida é uma tarefa, porque ela não se reduz ao dado somático-psíquico. Ele tem uma existência inacabada, não só do ponto de vista biológico, mas também espiritual e, principalmente, enquanto unidade pessoal”, finalizou.


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