Paixão de Cristo

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO


Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único para que o mundo seja salvo por meio dele. (Jo 3,16-17)


Pe. João Garbossa


Estamos no ano da fé. Na profissão de nossa fé nos rezamos: Creio em Jesus Cristo que por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. A paixão, morte e ressurreição de Cristo são o núcleo central e fundamental de nossa fé. Vamos, por ora, aprofundar nossa compreensão do significado deste ato de fé no sacrifício de Jesus dando a vida para nos libertar do pecado e da morte.
É importante partirmos da verdade da divindade de Jesus Cristo, homem em tudo igual a nós menos no pecado, é o Filho unigênito do Pai, é Deus encarnado. Como homem-Deus ele é capaz de sofrer dores em seu corpo como nós e angustias na alma mais do que nós, por conhecer a incomensurável santidade de Deus frente à opção da humanidade de ter, em sua liberdade, abandonado a lei de Deus, decretando sua própria independência, dominada pelo espírito das trevas e da orgulhosa insensatez. Isto estabeleceu para sempre entre o pecado e a santidade de Deus, uma incompatibilidade repugnante. A humanidade, por ter-se deixado dominar pelo pecado, tornou-se seu habitáculo, como uma pessoa tomada pela metástase de um câncer. O câncer desaparecerá somente quando tiver destruído toda a carne.
Diante da sentença de condenação que o homem lavrou para si mesmo ingerindo o veneno mortal da desobediência a Deus, não havia como salvar-se da morte e nem da epidemia demoníaca que cavou um abismo entre ela e Deus. Precisava a humanidade de uma mão divina que a resgatasse do poder da abominação que a envolvia diante dos olhos do Criador.


A mão de Deus deu-se então pela Encarnação do Filho unigênito do Pai Amor. Tomou carne humana no seio de Virgem Maria por obra do Espírito Santo. Aceitou, como Homem-Deus, assumir toda a culpa do pecado da humanidade e de pagar igualmente a devida pena em sua própria carne. O que isto comportou? O câncer do pecado, com toda a sua ferocidade, destruiu o corpo de Jesus tirando-lhe a vida. Exerceu todo o seu domínio mortal. Mas esta foi também a sua derrota irreversível. De fato, sendo a pessoa de Jesus o Filho unigênito de Deus, com sua morte, resgatou a humanidade do poder do demônio por sua obediência e comunhão incondicional ao Pai até sua morte de Cruz. É o todo poderoso amor divino restabelecendo assim a aliança de Deus com a humanidade. Agora é o demônio que tem repugnância e ódio dos filhos de Deus, e tenta fazê-los cair novamente no pecado para dominá-los roubando-os dos braços de Deus.


O que custou isto a Jesus?
Custou-lhe submeter-se a ser esmagado pelos pecados de toda a humanidade, para que estes fossem destruídos na aniquilação da carne do Filho do Homem. A Escritura confirma-o dizendo: “Jesus foi entregue à morte pelos nossos pecados.... para nos tornar justos” (Rm4,25). “Deus demonstrou seu amor para conosco quando ainda éramos pecadores. Fomos justificados pelo seu sangue e reconciliados pela sua morte” (Rm 5,8-9). “Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por meio dele fôssemos salvos por Deus” (2 Cor 5,21). “Tornou-se ele, assim, maldição por nossa causa, como diz a Escritura: “maldito seja todo aquele que for suspenso no madeiro” (Gal 3,13).


Em sua alma Jesus sofreu mais que em seu corpo. No Getsêmani Ele exclamou: “Minha alma está numa tristeza mortal” ( Mt 26,38). “Passe de mim este cálice!” (Jo 12,27). Era, a sua, uma agonia mortal que o fez suar sangue. Sendo o Filho um só amor com o Pai, sendo carregado de nossos pecados e estes repugnavam à santidade de Deus, sentia o Pai se afastando dele e então na cruz, num grito exclamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt,27,46). Qual a maior dor do que experimentar o abandono do Pai? E ainda aos pés da cruz alguns exclamavam: “Confiou em Deus; que Deus o livre agora se é que o ama! Pois ele disse: Eu sou Filho de Deus.” (Mt 27,43). Jesus sentia o que sentem os condenados ao dar-se conta que, Deus sendo tudo, está perdido para sempre e que sem ele é impossível viver. “Então Jesus deu novamente um forte grito e entregou o espírito” (Mt 27,50)

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